Espaço dos projetos IJUÍ – MEMÓRIA VIRTUAL e  IJUHY de ANTIGAMENTE, dedicado à divulgação e à socialização de fotografias e documentos históricos, fatos, acontecimentos, curiosidades e informações que preservam, valorizam e tornam acessível a história da cidade de Ijuí, RS, Brasil, promovendo o acesso público à memória coletiva, o compartilhamento do conhecimento histórico e o fortalecimento da identidade local para as atuais e futuras gerações.

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Antigo prédio do “Homem da bola”

O prédio do “Homem da Bola”, conhecido pela maioria dos antigos moradores de Ijuí, localizava-se na esquina das ruas do Comércio e 24 de Fevereiro, em frente ao Arroio do Moinho (Canal da Avenida, hoje coberto). Foi provavelmente construído em 1922 e pertencia ao imigrante alemão Eduardo Knebel. Inicialmente, o prédio serviu como depósito de erva-mate e fábrica de farinha de mandioca. Posteriormente, quando a família Knebel passou a dedicar-se ao ramo da olaria, ali passou a funcionar a Casa Comercial Einloft & Knudsen. Anos depois, o imóvel foi adquirido pela firma Nührich, Müller & Cia., permanecendo até 1975, quando ocorreu sua demolição. O prédio tornou-se amplamente conhecido por causa do “Homem da Bola” — na verdade, uma estátua representando um homem no topo do edifício, sustentando o planeta Terra. Segundo a professora e historiadora Dra. Maria Almeida da Silva, tratava-se de Atlas, personagem da mitologia grega condenado a sustentar a abóbada celeste por toda a eternidade. As obras artísticas do prédio — a estátua e duas ninfas que compunham o conjunto decorativo — e provavelmente a própria construção foram executadas pelo pedreiro de origem alemã Germano Elmers, radicado em Ijuí desde 1922. Em 1926, ele teria realizado ali sua obra-prima. Em 1975, a parte central da edificação foi demolida, mantendo-se apenas a fachada frontal, que acabou sendo removida em meados da década de 1980. Após a demolição total, a estátua foi doada pelos senhores Walter e Theo Müller, então proprietários do terreno, ao vereador Oscar Hubert, que a instalou em frente ao Posto do “Ganso”, na Rua do Comércio, esquina com a Rua Emílio Glitz, próximo à UNIJUÍ. No início de 2010, a escultura foi novamente transferida para o local onde se encontra atualmente: em frente a outro posto de gasolina, na Avenida Alfredo Steglich, no bairro Alvorada. Quanto às duas ninfas que faziam parte do conjunto original, não há informações sobre sua preservação ou localização. Na tentativa de conservar a estátua, ela foi pintada diversas vezes ao longo dos anos, o que acabou descaracterizando sua textura original. Posteriormente, segundo o Museu Antropológico Diretor Pestana, a obra foi restaurada por Zé Cláudio Ribas, quando as pinturas com aparência humana foram substituídas por uma coloração única, possivelmente mais próxima da original.

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Antigo prédio da Intendência e Prefeitura Municipal

Um dos edifícios mais marcantes dos primeiros tempos da Colônia de Ijuhy foi o prédio construído, em maio de 1903, por determinação da Comissão de Terras ao diretor da Colônia, Dr. Augusto Pestana. Localizado na esquina das ruas do Comércio e Benjamin Constant, destinava-se inicialmente ao funcionamento do escritório da Comissão e, posteriormente, à sede da Intendência da Colônia. Até então, o escritório funcionava desde 1902 em uma construção de madeira situada na entrada da sede colonial, na atual Rua 7 de Setembro, nas proximidades do Canal da Avenida (Av. 21 de Abril). Com o crescimento acelerado da “Villa”, tornou-se necessário transferir a estrutura administrativa para o centro urbano. A conclusão da cumeeira do novo prédio foi celebrada com grande festa, registrada nos anais da Colônia. O momento mais simbólico ocorreu quando o colono Estêvão Protti subiu ao topo do edifício e, ao som de seu bandoneón, executou o “Hino de Garibaldi”, enquanto foguetes eram lançados e vivas ecoavam pela comunidade. A obra custou 19:931$930 e tornou-se a segunda construção oficial simbólica da Colônia — a primeira havia sido o barracão de recepção aos imigrantes. Anos mais tarde, o prédio passaria a ser conhecido como “Prefeitura Velha”. Arquitetonicamente, caracteriza-se pelo estilo Eclético, com inspiração neoclássica. Apresenta linhas retas, simetria, proporção e ornamentação discreta, reforçando a sobriedade institucional. Sua estrutura é portante, construída com tijolos maciços assentados com argamassa de cal, fundações contínuas e cobertura em madeira com telhas de barro. O edifício possui planta retangular. Na fachada sul, há oito grandes janelas e uma porta; na fachada leste, voltada para a praça, quatro janelas e uma porta de acesso aos ambientes administrativos. Embora geralmente se perceba apenas um pavimento, o subsolo torna-se visível a partir do noroeste. Além de sediar a administração colonial, o prédio também abrigou a residência do Dr. Augusto Pestana, nos fundos. Após a emancipação da Vila, em 1912, passou a concentrar os setores administrativos do município, além de repartições estaduais e federais. O subsolo chegou a funcionar como cadeia pública, até a construção de um anexo específico em 1914. Com o crescimento do município, o edifício tornou-se insuficiente. Na administração do Intendente Cel. Dico, foi construído o novo prédio da Prefeitura Municipal, inaugurado em 1933. A partir de então, o antigo prédio passou a sediar o Fórum por várias décadas, até o início dos anos 1980. Posteriormente, abrigou a Secretaria da Fazenda, a 37ª Junta de Serviço Militar e outros órgãos públicos. Segundo estudos e pesquisas recentes, a edificação apresentou ao longo do tempo sinais de deterioração, como infiltrações, fissuras, desprendimento de reboco, oxidação de esquadrias e presença de umidade e vegetação nas platibandas. Conforme análise histórica, o prédio representa um autêntico testemunho arquitetônico do projeto de imigração colonial no Rio Grande do Sul, simbolizando austeridade, ordem e segurança. Sua sobriedade estética e ausência de excessivos ornamentos reforçam o caráter político e institucional que exerceu para a comunidade local. Em 1903, a Colônia contava com cerca de 8 mil habitantes, dos quais aproximadamente 675 viviam na área urbana. No prédio trabalhavam três funcionários estaduais: o chefe, um auxiliar de escritório e o agrimensor.

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Tiro de Guerra nº 337, em Ijuí

Tiro de Guerra no Brasil O Tiro de Guerra (TG) é uma instituição do Exército Brasileiro responsável pela formação de reservistas. Seu modelo permite que o convocado concilie a instrução militar com o trabalho ou os estudos. A criação de um TG ocorre por meio de convênio entre a prefeitura municipal e o Comando da Região Militar: o Exército fornece instrutores, fardamento e equipamentos, enquanto o município disponibiliza as instalações. Atualmente, existem mais de 200 Tiros de Guerra distribuídos pelo Brasil. A origem dos TGs remonta a 1902, com a criação das “Linhas de Tiro”, em Rio Grande (RS), sociedades de tiro ao alvo com finalidade militar. A partir de 1916, impulsionadas pela campanha de Olavo Bilac em defesa do serviço militar obrigatório, essas organizações foram estruturadas como instituições voltadas à formação de reservistas. Tiro de Guerra nº 337 de Ijuí O Tiro de Guerra nº 337 foi criado em Ijuí em 5 de março de 1917. Um ano depois, já contava com 70 sócios, que contribuíam com mensalidades para a manutenção das atividades. Podiam associar-se jovens a partir de 16 anos, permanecendo até os 25. O número 337 indicava sua posição de registro no país. A sede própria foi construída na Rua Álvaro Chaves, próxima à Escola Ruizinho. Posteriormente, a instituição adquiriu uma área na Linha 3 Oeste, onde funcionava a linha de tiro para exercícios militares. Até 1944, o TG nº 337 formou 25 turmas e reuniu 1.310 sócios. Com a instalação definitiva da Guarnição Federal em Ijuí (atual 27º GAC), passou a denominar-se Centro de Reservistas do Tiro de Guerra nº 337. O prédio A atual edificação da Rua Álvaro Chaves foi construída em 1932. Sua arquitetura, de caráter militar, apresenta elementos que lembram fortificação, com platibanda estilizada em formato acastelado. O prédio possui dois pavimentos e área total de 445,90 m², abrigando, originalmente, secretaria, tesouraria, administração e salas de instrução; o sanitário localizava-se em anexo nos fundos. Embora tenha passado por reformas internas ao longo dos anos, a fachada e a estrutura principal foram preservadas. Até 1984, era o único imóvel oficialmente tombado como Patrimônio Histórico e Cultural do Município de Ijuí. Extinção O Tiro de Guerra nº 337 foi oficialmente extinto em 29 de junho de 1993. Na ocasião, o Centro de Reservistas, presidido por Raymundo Adolfo Schulz, vendeu o patrimônio remanescente à Prefeitura Municipal de Ijuí e destinou os recursos ao Hospital de Caridade de Ijuí. O arquivo histórico foi encaminhado ao Museu Antropológico Diretor Pestana. O primeiro presidente do Centro de Reservistas foi Álvaro de Carvalho Nicofé, e o último, até 1993, foi Raymundo Adolfo Schulz. Durante 47 anos, Wandoaldo Vieira Kopf exerceu a função de secretário da instituição.

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