Pioneiro Francisco Berenhäuser: comerciante e primeiro responsável pela limpeza e ajardinamento da Praça da República
O imigrante alemão Francisco Berenhäuser foi o primeiro presidente do Conselho Municipal de Ijuhy. Sua ampla experiência empresarial e política, aliada à profunda amizade com o ex-chefe da Colônia e então deputado Dr. Augusto Pestana, bem como com o intendente eleito Coronel Antônio Soares de Barros (o Coronel Dico), foi decisiva para sua escolha ao cargo. Berenhäuser era natural de Ehrenbreitstein, localidade situada às margens do rio Reno, na Alemanha, onde nasceu em 7 de agosto de 1842. Aos 20 anos, emigrou para o Brasil, residindo inicialmente em Santa Catarina. Viveu ainda em Montevidéu e na cidade de Carmelo, ao noroeste de Colônia do Sacramento, ambas no Uruguai. Mais tarde retornou ao Brasil, estabelecendo-se primeiro em São Gabriel e, posteriormente, em Cruz Alta, onde exerceu sua profissão de alfaiate. Paralelamente, abriu uma casa comercial e, ao longo dos anos, ampliou suas atividades para uma cervejaria, uma olaria e uma transportadora que utilizava carretas para o transporte de mercadorias entre Cruz Alta e Santa Maria. Seu espírito empreendedor levou-o a enxergar oportunidades na recém-fundada Colônia de Ijuhy, onde instalou uma filial de sua casa comercial. Dois anos depois, decidiu transferir a matriz da empresa para a nova localidade. Uma notícia publicada pelo jornal Die Serra-Post, em 7 de setembro de 1917, relatando seu falecimento, destacou que Francisco Berenhäuser renunciou ao cargo de presidente do Conselho Municipal ao final do primeiro mandato, em razão da idade avançada. Afirmou também que sua obra mais marcante para a comunidade ijuiense foi a implantação da praça central — hoje Praça da República. Segundo a publicação, “nossa praça não encontra similar em toda a Serra e mesmo nas localidades mais antigas dificilmente se encontra semelhante parque”. Acrescenta ainda: “Vigiava a Praça com tocante dedicação e, já ao romper da aurora, sempre era visto lá. Nada irritava tanto o idoso cidadão quanto constatar que mãos insensíveis e brutais haviam causado algum dano às mudas plantadas”. Francisco Berenhäuser faleceu às 8h30min do dia 4 de setembro de 1917, pouco depois de perder sua esposa, Ida Berenhäuser, falecida em 23 de julho do mesmo ano, vítima de insuficiência cardíaca.



